sábado, 17 de novembro de 2012

Avaliação de leitura e escrita 6º ano com gabarito (projeto Araribá)

A espada

Uma família de classe média alta. Pai, mulher, um filho de sete anos. É a noite do dia em que o filho fez sete anos. A mãe recolhe os detritos da festa. O pai ajuda o filho a guardar os presentes que ganhou dos amigos. Nota que o filho está quieto e sério, mas pensa: "É o cansaço". Afinal ele passou o dia correndo de um lado para o outro, comendo cachorro-quente e sorvete, brincando com os convidados por dentro e por fora da casa. Tem que estar cansado.

— Quanto presente, hein, filho?

— É.

— E esta espada. Mas que beleza. Esta eu não tinha visto.

— Pai...

— E como pesa! Parece uma espada de verdade. É de metal mesmo. Quem foi que deu?

— Era sobre isso que eu queria falar com você. O pai estranha a seriedade do filho. Nunca o viu assim. Nunca viu nenhum garoto de sete anos sério assim. Solene assim. Coisa estranha... O filho tira a espada da mão do pai. Diz:

— Pai, eu sou Thunder Boy.

— Thunder Boy?

— Garoto Trovão.

— Muito bem, meu filho. Agora vamos pra cama.

— Espere. Esta espada. Estava escrito. Eu a receberia quando fizesse sete anos.

O pai se controla para não rir. Pelo menos a leitura de história em quadrinhos está ajudando a gramática do guri. "Eu a receberia..." O guri continua.

— Hoje ela veio. É um sinal. Devo assumir meu destino. A espada passa a um novo Thunder Boy a cada geração. Tem sido assim desde que ela caiu do céu, no vale sagrado de Bem Tael, há sete mil anos, e foi empunhada por Ramil, o primeiro Garoto Trovão. O pai está impressionado. Não reconhece a voz do filho. E a gravidade do seu olhar. Está decidido. Vai cortar as histórias em quadrinhos por uns tempos.

— Certo, filho. Mas agora vamos...

— Vou ter que sair de casa. Quero que você explique à mamãe. Vai ser duro para ela. Conto com você para apoiá-la. Diga que estava escrito. Era o meu destino.

— Nós nunca mais vamos ver você? — pergunta o pai, resolvendo entrar no jogo do filho enquanto o encaminha, sutilmente, para a cama.

— Claro que sim. A espada do Thunder Boy está a serviço do bem e da justiça. Enquanto vocês forem pessoas boas e justas poderão contar com a minha ajuda.

— Ainda bem — diz o pai.

E não diz mais nada. Porque vê o filho dirigir-se para a janela do seu quarto, e erguer a espada como uma cruz, e gritar para os céus "Ramil!". E ouve um trovão que faz estremecer a casa. E vê a espada iluminar-se e ficar azul. E o seu filho também. O pai encontra a mulher na sala. Ela diz:

— Viu só? Trovoada. Vá entender este tempo.

— Quem foi que deu a espada pra ele?

— Não foi você? Pensei que tivesse sido você.

— Tenho uma coisa pra te contar.

— O que é?

— Senta, primeiro.

L. Fernando Veríssimo.

 

1 Qual alternativa mostra a principal intenção dessa crônica?

a) Criticar o excesso de presentes que as crianças

de classe média alta ganham em seus aniversários.

b) Demonstrar que os pais nunca acreditam em

seus filhos.

c) Narrar acontecimentos fictícios vividos por menino que recebe uma espada mágica ao fazer sete anos.

 

2 Quem são as personagens dessa crônica?

 

3 A crônica gira em torno de um segredo que é revelado ao pai pelo menino.

a) Por que o pai não acredita nessa revelação?

b) Em que momento do texto o pai passa a acreditar no filho?

 

4 O pai identifica dois efeitos diferentes que a leitura de histórias em quadrinhos provocou no filho. Quais são eles?

 

5 Copie do texto o trecho que indica o tempo e o lugar em que se passa a ação da história.

 

6 Identifique os quatro momentos principais da ação seguindo este esquema:

Situação inicial  - conflito – clímax – desfecho.

 

7 Que tipo de linguagem costuma ser mais utilizada nas conversas entre pai e filho: formal ou informal? E nessa crônica, que linguagem predomina nas falas do filho? Por que isso ocorre?

 

8 Releia.

"O guri continua."

A palavra guri é muito comum no Rio Grande do Sul e significa "menino". Que tipo de variedade linguística ocorre nessa situação?

 

9 Produção textual

Escreva uma continuação dessa crônica, imaginando como seria a primeira aventura do menino depois de ter se transformado em Thunder Boy. Na elaboração do texto, lembre-se de incluir os quatro momentos da narrativa:

situação inicial;

um problema que altera a situação inicial e desencadeia a ação da história;

o momento de maior tensão;

conclusão da história e solução do problema.

 

Gabarito

1 Alternativa c.

2 O pai, a mãe e o menino.

3 a) O pai não acredita nessa revelação porque super-heróis e espadas mágicas não existem no mundo real.

b) O pai passa a acreditar no filho quando o menino ergue a espada, grita "Ramil!" e, depois de um trovão, a espada e ele ficam azuis.

4 Inicialmente, ele identifica um efeito positivo, pois os quadrinhos estariam "ajudando a gramática do guri". Em seguida, estranhando o comportamento do filho, pensa em cortar essas histórias por um tempo.

5 Tempo: "É a noite do dia em que filho fez sete anos". Espaço: "Afinal ele passou o dia correndo de um lado para o outro, comendo cachorro-quente e sorvete, brincando com os convidados por dentro e por fora da casa."

6 Situação inicial: ao final de uma festa de aniversário, enquanto a mãe limpa a casa, pai e filho guardam os presentes. Conflito: o menino revela ao pai que é o Thunder Boy. Clímax: o menino levanta sua espada, grita "Ramil!" para os céus e ele e a arma

ficam azuis. Desfecho: o pai conversa com a mãe sobre a espada e diz que tem algo para contar a ela.

7 Espera-se que os alunos percebam que costuma ser utilizada a linguagem informal. Na crônica, predomina a linguagem formal nas falas do filho, pois o menino pretende fazer uma séria revelação sobre sua verdadeira identidade.

 

8 Ocorre uma variedade regional, pois se trata de uma palavra utilizada em uma região específica do país.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Avaliação de leitura para 5º/6º ano com gabarito

 

O pastor e o lobo

 

Um pastor costumava levar seu rebanho para bem longe da aldeia. Fazia então uma brincadeira de mau gosto:

– Socorro! Socorro! – gritava. Os lobos estão atacando os meus carneiros! As pessoas largavam o que estavam fazendo e corriam para ajudá-lo.

O pastor torcia-se de rir, pois não havia lobo algum.

Um dia apareceram lobos de verdade. Enquanto eles devastavam o rebanho, o pastor, horrorizado, gritava:

– Socorro! Socorro! Corram, senão vão chegar tarde! As pessoas pouco se incomodaram. Pensavam que o gozador estava fazendo mais uma das suas. E assim, ele perdeu todos os seus carneiros. Triste, disse ele com seus botões:

– Os mentirosos só ganham uma coisa: não serem acreditados nem quando dizem a verdade.

(GÄRTNER, Hans; ZWERGER, Lisbeth)

01. Em "Enquanto eles devastavam o rebanho...", o termo sublinhado refere-se a

(A) lobos.   (B) carneiros.   (C) mentirosos.   (D) vizinho

02. Em "... o gozador estava fazendo mais uma das suas.", a expressão destacada

significa no texto

(A) realizar o trabalho do dia-a-dia.

(B) levar o rebanho para longe da aldeia.

(C) atacar todos os carneiros do rebanho.

(D) fazer brincadeira de mau gosto.

03. Pelo final da história, você pode entender que o pastor aprendeu que

(A) "A mentira tem pernas curtas."

(B) "Quem tudo quer tudo perde."

(C) "A ovelha má põe o rebanho a perder."

(D) "Quem desdenha quer comprar."

04. O pastor dessa história é

(A) mentiroso e gozador.

(B) medroso e preguiçoso.

(C) solidário e brincalhão.

(D) alegre e respeitoso.

05. Os vizinhos não confiavam mais no pastor, porque ele

(A) resolvia sozinho os seus problemas.

(B) gritava por qualquer coisa.

(C) fingia que os lobos o atacavam.

(D) tinha muito medo dos lobos.

06. No trecho "– Socorro! Socorro! gritava. Os lobos estão atacando os meus

carneiros!", o travessão indica o início da

(A) queixa do mentiroso.

(B) fala das pessoas.

(C) reclamação da vizinhança.

(D) gritaria do pastor.

Por que alguns animais comem pedras?

 

Alguns animais têm hábitos que podemos considerar curiosos... Os gatos, por exemplo, se lambem para limpar o pêlo. Já os cachorros instintivamente procuram comer certas ervas quando estão sentindo algum mal-estar. Mas tem bicho com hábitos ainda mais intrigantes, como comer pedras! É isso aí! E olha que, em vez de

fazê-los passar mal, as pedras exercem funções úteis dentro do organismo.

As pedras engolidas por certos animais são chamadas gastrólitos, que quer dizer 'pedras do estômago'. É dentro deste órgão que elas ficam armazenadas e ajudam a triturar os alimentos e a limpar as paredes estomacais dos parasitos que a infestam. Além disso, as pedras aliviam a sensação de fome durante longos períodos em que os bichos precisam ficar sem comer, já que ocupam um bom lugar em seu organismo.

Crocodilos, pingüins, focas e leões-marinhos, entre outros animais aquáticos, estão na lista dos engolidores de pedra.

Mas não pensem que os bichos engolem qualquer pedra que vêem pela frente. Eles

escolhem com muito cuidado as que vão para sua barriga. Valem as mais lisinhas e bem arredondadas.

(SALVATORE, S. Por que alguns animais comem pedra? Ciência Hoje das Crianças,

Rio de Janeiro, n. 141, nov. 2003. Adaptação.)

07. Os animais que comem pedras escolhem as que são

(A) arredondadas.

(B) macias.

(C) grandes.

(D) pontudas.

08. Em "em vez de fazê-los passar mal", o termo destacado refere-se a

(A) animais que comem pedras.

(B) cachorros que comem certas ervas.

(C) gatos que se lambem para limpar o pêlo.

(D) parasitos que infestam os animais.

09. Em "Mas tem bicho com hábitos ainda mais intrigantes, como comer pedras!", a

palavra "intrigante" quer dizer

(A) ruim.

(B) estranho.

(C) saudável.

(D) doentio

 

10. Esse texto que você leu

(A) descreve como alimentar os animais doentes.

(B) informa curiosidades sobre alimentação de alguns animais.

(C) apresenta animais que precisam comer ervas todo o tempo.

(D) explica como os gatos e cachorros se alimentam.

 

11. Além de triturar os alimentos, as pedras também são úteis porque

(A) limpam as paredes do estômago e aliviam a sensação de fome.

(B) limpam o pêlo e absorvem vitaminas.

(C) aliviam o mal-estar e limpam as paredes do estômago.

(D) ajudam a digerir ervas e matam a fome.

 

12. O texto "Por que alguns animais comem pedras?" serve para

(A) contar uma história de animais.

(B) informar sobre os hábitos curiosos de alguns animais.

(C) dar uma notícia sobre animais em extinção.

(D) informar sobre animais de estimação.

 

Salvem os filhotes!

Cientistas se unem para proteger animais selvagens em extinção

Ana Maria Azevedo

Em nome dos filhotes mostrados nesta página e de milhões de outros em todo o planeta, centenas de cientistas de vários países estão este mês em Bangcoc, a capital da Tailândia. Eles participam da reunião da Convenção Internacional de Espécies Ameaçadas (Cities), um nome complicado para um problema difícil ainda: impedir que animais selvagens sejam mortos ou aprisionados. Todos os dias, filhotes como estes são ameaçados por caçadores. A Cities existe para criar leis que evitem o desaparecimento de animais e plantas.

Os pandas-gigantes estão entre os animais protegidos pelas Cities. Hoje, seu

comércio é proibido e punido com muito rigor na China, terra natal desses ursos que de tão fofos mais parecem feitos de pelúcia.A mesma proteção é dada aos ainda mais raros pandas – vermelhos, também nativos da China e do vizinho Nepal. A Cities protege os orangotangos, os chimpanzés e os gorilas, mas eles ainda precisam de muita ajuda para não serem extintos. O mesmo vale para os felinos, como os tigres, os leões, os chitas e os muito raros gatos-pescadores, encontrados apenas à beira de alguns poucos rios na Ásia. Os cientistas esperam que desta reunião saiam medidas para proteger, principalmente, os tigres.

 

13. A reunião dos cientistas da Cities vai acontecer

(A) no Nepal. (B) na China. (C) em Bangcoc. (D) na capital da China.

 

14. Em "Eles participam da reunião da Convenção Internacional de Espécies Ameaçadas (Cities)," o termo sublinhado refere-se à palavra

(A) filhotes. (B) outros. (C) países. (D) cientistas.

 

15. A notícia acima tem como assunto principal informar sobre

(A) os gatos-pescadores encontrados nos rios da Ásia.

(B) a realização do encontro da "Convenção Internacional das Espécies Ameaçadas."

(C) a luta para proteger os tigres e os chitas.

(D) os animais protegidos pela China.

 

16. A Cities existe para que possa

(A) procurar animais raros em países distantes como a China.

(B) criar leis que impeçam o desaparecimento de animais e plantas.

(C) denunciar os países que protegem o meio ambiente.

(D) levar para o Zoológico animais em extinção.


GABARITO: 1A , 2D, 3ª, 4A, 5C, 6D, 7A, 8A, 9B, 10B, 1A, 12B 13C, 14D, 15B, 16B.

 

 

 

 

 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Interpretação de texto com gabarito – Ensino Médio

Cidadania e igualdade

Mais do que em outras épocas da nossa história, o momento em que ingressamos num novo século exige a construção da cidadania e a implementação dos direitos humanos como tarefa de urgência. Realizá-la implica uma série de atitudes que envolvem, antes de mais nada, o indivíduo, o seu grupo, a comunidade e os diversos segmentos da sociedade. Impõe-se a cada pessoa o desafio de acreditar - ou voltar a acreditar, se perdeu tal crença - na possibilidade de uma sociedade justa e solidária, exercitando uma nova consciência crítica, conhecendo a realidade em suas várias nuances e mudando o que precisa ser mudado para uma vida melhor.

Ter consciência crítica significa também saber analisar, com realismo, as causas e os efeitos das situações que precisam ser enfrentadas, para, a partir dessa atitude, descobrir os melhores caminhos na busca da transformação social, política, econômica e cultural. Significa, do mesmo modo, abrir-se para as mudanças e capacitar-se, de todas as formas, para absorvê-las. Há hoje cada vez mais espaços para ações de parceria voltadas ao desenvolvimento sustentado e à realização dos direitos humanos.

O desafio apresenta-se de duas formas. De um lado, é preciso abrir-se para além dos círculos fechados em que as pessoas normalmente vivem, estimulando o respeito e a cooperação por uma sociedade com menores desigualdades, e de outro, para exercer o direito de cobrar das instituições do Estado a sua responsabilidade na preservação dos direitos humanos. O desafio essencial de cada um de nós é e sempre será fazer respeitar a nossa condição de ser humano vocacionado a uma vida digna e solidária.

O princípio de igualdade é a base da cidadania e fundamenta qualquer constituição democrática que se proponha a valorizar o cidadão. Não é diferente com a nossa. Na Constituição de 1988, o direito à igualdade destaca-se como tema prioritário logo em seu artigo 5º : ''Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade (...)''
(Guia Cidadania e Comunidade)



01) A realização da ''tarefa de urgência'', de que trata o primeiro parágrafo do texto, exige
A) iniciativas enérgicas por parte do poder estatal.
B) a defesa do convívio em círculos sociais restritos.
C) uma nova reforma constitucional.
D) uma alteração no fundamento da Constituição de 1988.
E) novas atitudes dos indivíduos e dos grupos sociais.



02) Considere as seguintes afirmações:
I. As ''duas formas'' de desafio de que trata o 3o parágrafo acentuam a importância do papel da iniciativa do Estado.
II. A frase Não é diferente com a nossa, no penúltimo parágrafo, lembra que o princípio da igualdade é básico também na Constituição brasileira.
III. O direito à igualdade, tratado no artigo 5o da Constituição de 1988, é amplo em relação aos cidadãos brasileiros e restrito em relação a todos os demais. 

Em relação ao texto, está correto o que se afirma em
A) I, somente.
B) II, somente.
C) I e II, somente.
D) II e III, somente.
E) I, II e III.



03) O texto manifesta a necessidade premente de se evitar
A) uma análise realista das causas e efeitos das situações que precisam ser enfrentadas.
B) a prática de cobrar de setores do Governo suas responsabilidades constitucionais.
C) a tendência de se viver no interior de círculos sociais fechados e estanques.
D) a discriminação social, a não ser nos casos previstos no artigo citado da atual Constituição.
E) qualquer desafio que diga respeito a mudança de atitude ou de hábitos tradicionais.

04) No contexto do 1o parágrafo, os elementos que constituem a enumeração o indivíduo, o seu grupo, a comunidade e os diversos segmentos sociais
A) estão dispostos numa ordem casual e arbitrária.
B) obedecem à sequência lógica do mais geral para o mais particular.
C) são todos eles alternativos e excludentes entre si.
D) estão dispostos numa progressão do particular para o geral.
E) são todos eles sinônimos entre si.



05) Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de uma frase do texto em:
A) em suas várias nuances = em seus diversos aspectos.
B) implementação dos direitos humanos = preservação da assistência humanitária.
C) vocacionado a uma vida solidária = ambientado no regime da privacidade.
D) tema prioritário = questão de alguma relevância.
E) inviolabilidade do direito à vida = protelação da garantia de vida.

06) A frase "Ter consciência crítica significa também saber analisar, com realismo, as causas e os efeitos das situações, que precisam ser enfrentadas"articula o segundo ao primeiro parágrafo. Considerando-se essa articulação, a palavra também tem o sentido de
A) ainda assim.
B) apesar de tudo.
C) além disso.
D) sobretudo.
E) antes de mais nada.



07) Está correta a grafia de todas as palavras do seguinte comentário sobre o texto:
A) Uma das iniciativas encontornáveis da cidadania está em se ezercer a consciência crítica, aplicada aos fatos da realidade.
B) Recusando os privilégios dos que se habituaram a viver em grupos autônomos, o texto propõe o acesso de todos a todas as instâncias
sociais.
C) Ninguém deve se ezimir de cobrar do Estado a prezervação do princípio de igualdade como um direito básico da cidadania.
D) Constitue dever de todos manter ou readquirir a crença em que seja possível a vijência social dos princípios da igualdade e da solidariedade.
E) O que se atribue a um cidadão, como direito básico, deve constituir-se em direito básico de todos os cidadãos, indescriminadamente.

08) As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na seguinte frase:
A) É uma tolice imaginar-se que não se devam satisfações àqueles que não pertençam ao âmbito do nosso próprio grupo social.
B) Não nos cabem, nos dias que correm, ignorar o fato de que novas atitudes são absolutamente necessárias a uma nova ordem social.
C) A base da cidadania se firmam nos princípios que postulam a inviolabilidade dos direitos básicos de todo cidadão.
D) Assim como nas dos outros países, encontram-se em nossa Constituição, em palavras que não deixam dúvida, o princípio democrático da igualdade.
E) As duas formas em que se apresentam para nós o desafio de acreditar na igualdade são a abertura para os outros e a vigilância quanto às funções do Estado.



09) Transpondo-se para a voz passiva a frase "O desafio essencial 
será fazer respeitar a nossa condição de ser humano", o segmento destacado será substituído por
A) fazer com que respeitemos.
B) fazermo-nos respeitados.
C) ter feito respeitar.
D) fazer ser respeitada.
E) fizermos respeitá-la.



10) Está clara e correta a redação da seguinte frase:
A) Viver em círculos fechados é o que muita gente gosta apesar de serem pouco beneficiados em razão disto.
B) Quando se obedece princípios de igualdade a cidadania de que todos almejamos torna-se não apenas provável quanto possível.
C) É bem melhor gozar de um direito coletivamente do que cada um por si, o mesmo ocorrendo com os demais.
D) Verifica-se hoje muitas ações de parceria, onde a meta é o desenvolvimento sustentado, além de ser voltado à realização dos direitos humanos.
E) Se há algumas razões para que se tenha deixado de crer na possibilidade de uma sociedade justa, há muitas mais para que se aceite o desafio
de voltar a crer.

Gabarito:
 01 - E   02 – B  03 – C  04 – D  05 – A  06 - C   07 – B  08 - A  09 – D  10 - E

 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Avaliação de leitura – Ensino Fundamental, com gabarito

TEXTO I

Pode dizer-se que a presença do negro representou sempre fator obrigatório no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. Os antigos moradores da terra foram, eventualmente, prestimosos colaboradores da indústria extrativa, na caça, na  pesca,  em  determinados  ofícios 5 mecânicos e na criação do gado. Dificilmente se acomodavam, porém, ao trabalho acurado e metódico que exige a exploração dos canaviais. Sua tendência espontânea era para as atividades menos sedentárias e que pudessem exercer-se sem regularidade forçada e sem vigilância e fiscalização de estranhos. (Sérgio Buarque de Holanda, in Raízes)

1) Segundo o autor, os antigos moradores da terra: 
a) foram o fator decisivo no desenvolvimento dos latifúndios coloniais. 
b) colaboravam com má vontade na caça e na pesca. 
c) não gostavam de atividades rotineiras. 
d) não colaboraram com a indústria extrativa. 
e) levavam uma vida sedentária.

2) "Trabalho acurado" (l. 6) é o mesmo que: 
a) trabalho apressado   b) trabalho aprimorado    c) trabalho lento 
d) trabalho especial   e) trabalho duro

3) Na expressão "tendência espontânea" (/. 7), temos uma: 
a) ambiguidade   b) cacofonia   c) neologismo   d) redundância   e) arcaísmo

4) Infere-se do texto que os antigos moradores da terra eram: 
a) os portugueses   b) os negros   c) os índios   d) tanto os índios quanto os negros 
e) a miscigenação de portugueses e índios

5) Pelo visto, os antigos moradores da terra não possuíam muito (a):  
a) disposição   b) responsabilidade   c) inteligência  d) paciência    e) orgulho 

TEXTO II

Com todo o aparato de suas hordas guerreiras, não conseguiram as bandeiras realizar jamais a façanha levada a cabo pelo boi e pelo vaqueiro. Enquanto que aquelas, no desbravar, sacrificavam indígenas aos milhares, despovoando  sem  fixarem-se,  estes  foram 5 pontilhando de currais os desertos trilhados, catequizando o nativo para seus misteres, detendo-se, enraizando-se. No primeiro caso era o ir e voltar; no segundo, era o ir-e-ficar. E assim foi o curral precedendo a fazenda e o engenho, o vaqueiro e o lavrador, realizando uma obra de conquista dos altos sertões, exclusive a pioneira. (José Alípio Goulart, in Brasil do Boi)

6) Segundo o texto: 
a) tudo que as bandeiras fizeram foi feito também pelo boi e pelo vaqueiro. 
b) o boi e o vaqueiro fizeram todas as coisas que as bandeiras fizeram. 
c) nem as bandeiras nem o boi e o vaqueiro alcançaram seus objetivos. 
d) o boi e o vaqueiro realizaram seu trabalho porque as bandeiras abriram o caminho. 
e) o boi e o vaqueiro fizeram coisas que as bandeiras não conseguiram fazer.

7) Com relação às bandeiras, não se pode afirmar que: 
a) desbravaram    b) mataram  c) catequizaram   d) despovoaram   e) não se fixaram

8) Os índios foram: 
a) maltratados    b) aviltados   c) expulsos   d) presos   e) massacrados

9) O par que não caracteriza a oposição existente entre as bandeiras e o 
boi e o vaqueiro é: 
a) aquelas (/. 3) / estes (/. 4) 
b) ir-e-voltar (/. 6/7) / ir-e-ficar (/. 7) 
c) no primeiro caso (/. 6) / no segundo (/. 7) 
d) enquanto (/. 3) / e assim [1.7)  
e) despovoando (/. 4) / pontilhando (/. 5)

10) "...catequizando o nativo para seus misteres..." Das alterações feitas na 
passagem acima, a que altera basicamente o seu sentido é: 
a) doutrinando o indígena para seus misteres 
b) catequizando o aborígine para suas atividades 
c) evangelizando o nativo para seus ofícios 
d) doutrinando o nativo para seus cuidados 
e) catequizando o autóctone para suas tarefas

11) O elemento conector que pode substituir a preposição com (/. 1),  mantendo o sentido e a coesão textual, é: 
a) mesmo   b) não obstante    c) de   d) a respeito de   e) graças a

12) "...o aparato de suas hordas guerreiras..." sugere que as conquistas dos 
bandeirantes ocorreram com: 
a) organização e violência   b) rapidez e violência   c) técnica e profundidade 
d) premeditação e segurança  e) demonstrações de racismo e violência


1- c 2- b  3- d  4- c 5- b  6- e  7- c  8- e  9- d  10- d  11- b  12- a  

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Reflexão sobre o filme  " Como Estrelas na Terra – Toda Criança é Especial".

O filme conta a história de um garoto indiano de mais ou menos oito anos que enfrenta problemas na escola por não conseguir aprender no mesmo ritmo do restante da turma. Em casa, os problemas só aumentam à medida que ele vai mal na escola, pois seus pais não admitem tal situação uma vez que Yohann, seu irmão mais velho é um excelente aluno. Com o passar do tempo Ishann é transferido para um internato porque já repetira o terceiro ano duas vezes. No internato sua vida piora muito, pois a escola é muito tradicional tendo como lema a ordem, disciplina e trabalho. Ishann se vê cada dia mais desolado de todos: sua família não o visita frequentemente, pois tem outras prioridades, na escola seu desempenho piora a cada dia. Felizmente Ishann pode contar com o apoio de um professor substituto de Artes, que percebe o problema do garoto e se vê obrigado a ajudá-lo. Depois de diagnosticar que a deficiência do menino era consequência da deslexia, o professor usando métodos alternativos de ensino consegue fazer com o interesse de Ishann volte e ele consegue  internalizar, ao seu modo, o conhecimento ministrado no internato e se torna um excelente aluno.

Analisando o episódio retratado no filme, percebemos o quanto pesa sobre nossos ombros a responsabilidade de criarmos mecanismos diferenciados para que a aprendizagem da criança aconteça de forma plena.

Cada criança tem uma maneira e um ritmo de aprender, pois provem de realidades distintas, e para descobrirmos quais são as suas habilidades e promovermos meios para que elas se desenvolvam, é necessário termos a perspicácia de conhecer  individualmente cada uma, por meio de atividades que facilitem a interação dela com as demais crianças e com o educador.

Estabelecer critérios rigorosos de avaliação do potencial de cada criança continuamente, para criarmos ações de melhoria, valorizar cada avanço apresentado, desenvolver atividades diversificadas e agir não como detentor do conhecimento, mas, como mediador, talvez sejam passos importantes para superarmos as nossas fraquezas e  dificuldades como educador, numa sociedade complexa e excludente onde cada criança deve ser considerada uma estrela.

Resenha do Conto A Enxada de Bernardo Elis.

 

            Vicente Celestino da Silva.

 

A Enxada ( Global, Bernardo Elis) é um conto que  narra a história de Supriano, mais conhecido como Piano. Ele era pobre, humilde, negro, honesto e muito trabalhador. Devido a uma pendência trabalhista adquirida com  o Delegado, pois Piano não conseguiu terminar a empreitada do "quintal de café", ficando assim devedor de "um conto de réis" para o tal delegado. Por conta desta dívida  Piano foi obrigado a trabalhar para o Capitão Elpídio Chaveiro, que era amigo do Delegado. Sobre as ordens do novo Senhor, Piano teria que plantar uma roça de arroz até o  dia de Santa Luzia. Cultivar as duas sacas de arroz não era problema para Supriano, se ele tivesse uma enxada. Por vários dias Piano tentou arranjar emprestada a tal da ferramenta  porém, não conseguira. Chegou mesmo a pensar em roubar uma, todavia se lembrou do "dos Anjo, que estava pubando na cadeia por causa de um cubu de enxada que diziam ter furtado". Ademais  o caráter de Piano não lhe permitia esse tipo de ação, que logo foi abandonada. Sem tempo e sem a maldita enxada, Piano resolveu na véspera de Santa Luzia, tomado por um delírio  fustigante, em plena escuridão, plantar a roça  fazendo das mãos a tão desejada enxada. " O camarada tocava os cotos sangrento de mão  na  terra, fazia um buraco com um pedaço de pau, depunha dentro algumas sementes de arroz, tampava logo com os pés e principiava nova cova". No alvorecer de Santa Luzia dois soldados, a mando do Capitão Elpídio, se aproximam  de Piano que já estava quase no fim da empreitada...Quando um tiro de fuzil ecoou  mata a dentro, sacudindo o frio da manhã e espantando os periquitos que roíam o olho dos buritis, acabando assim com o sofrimento de Piano.

O texto de Bernardo Elis, escrito na década de 60 retrata muito bem as relações de trabalho entre empregador e empregado, digo entre "Senhor e escravo", já que Piano foi entregue a Elpídio  como pagamento de uma dívida. A hierarquia era muito clara: de um lado, amparado pela lei, estava o Capitão Elpídio, o patrão; do outro, abandonado por ela, estava Piano, o escravo, que lutou com todas as forças para manter-se submisso, contrariando assim a Lei Áurea que pregava que após 1888 não deveria mais existir o trabalhador  escravo. A relação entre o texto e o contexto em que foi escrito parece retratar um regresso do personagem Piano a um passado arcaico e hostil no qual o trabalhador além de não ser dono dos meios de produção, também não possui  acesso as mais simples ferramentas de cultivo da terra. Esse texto mantém uma relação direta com a realidade social e econômica com a época em que foi escrito, pois nesse período o país passava pelo conturbado movimento do campesinato, que militava a favor da reforma agrária e em detrimento dos latifundiários. A figura de Piano nos remete as mazelas a  que o trabalhador braçal do campo se submetia, por outro lado nos faz pensar também no caráter e na identidade desse povo tão sofrido. "Nunca matei, num roubei, num buli com muié dos outros, gente". "O que eu quero é uma enxada para mode lavorar...". "Sou honrado, Capitão". "O que devo eu pago...." Cheio de regionalismo, o texto retrata  bem o falar caipira da classe menos favorecida, "sufragante", "percisano", "muié", "ranjou"etc. assim como enfoca as características socioculturais representadas de um lado por Piano, sua esposa defeituosa das pernas e pelo filho bobo que mal andava, de outro a elite representada pela figura do Delegado e Capitão Elpídio, filho de um senador. Nesse texto fica claro os processos sociais existentes entre dominadores e dominados, entre Capitão Elpídio e Piano.  A narrativa de Bernardo Élis mostra que nem sempre o indivíduo de mais conhecimento ou cultura letrada possui discernimento para agir com hombridade e honradez, e que, às vezes,  um humilde servo se mostra possuidor de um caráter que o dinheiro ou  status  social não podem criar.